Por Carla Elliff

Montagem por Carla Elliff.
A foto do whatsapp mudou para um post-it amarelo com a palavra Férias em caixa alta, escrito em vermelho.
Mas você seguiu se atualizando nos grupos de trabalho sobre as últimas demandas - e até participou das reuniões "mais importantes".
Os stories mostraram dias ensolarados na praia.
Intercalados com fotos de você no laboratório até tarde.
Comemorou a chegada das férias dizendo o quanto os meses anteriores de trabalho foram frenéticos e que você precisa de descanso.
Mas, agora, não sabe o que fazer com tempo livre, então senta na frente do computador.
Curte e compartilha conteúdos online sobre a importância de cuidar da nossa saúde mental.
Mas não pensa duas vezes antes de mandar uma mensagem de whatsapp e pingar uma notificação imediata de trabalho (não urgente) no celular dos colegas, a qualquer hora.
Está de férias, é feriado, é final de semana, é um horário fora do expediente: não importa, você ainda está participando da corrida para chegar "lá".
Mas onde ou o que é o "lá"? Sei lá...
Eu já me vi em alguns desses cenários e tenho certeza que você também.
O que isso diz de nós e da cultura que vivemos?
As férias de verão acabaram, mas o descanso é um direito (mesmo, olha lá no artigo 24° da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU) e é muito necessário.
Imagine que você passa o ano inteiro sedentário e decide por 2 semanas ir numa academia, praticar algum esporte, se exercitar. Além de você provavelmente não saber nem por onde começar (“que esporte eu gosto?”, “tudo doi!”), não dá para dizer que você está cultivando hábitos saudáveis para seu corpo. Com o descanso é o mesmo: é uma prática. Tirar 2 semanas de férias no final do ano não vai resolver todos seus cansaços se você também não pratica o descanso no dia a dia.
Bora refletir mais sobre pq agimos assim?
Para ouvir, sobre descanso, exaustão e trabalho excessivo:
Para ver, sobre como o esgotamento mental nos afeta e como sair desse ciclo:
Para ler, sobre como o "lá" é flexível:
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